Para saber mais.

 

Histórias Que o Rádio Não Contou.

 

Reinaldo C. Tavares

Negócio Editora: 1ª Edição, São Paulo, 1997.

 

Extrato.

Marchel Makluen elaborou uma teoria que explica toda a evolução cultural da humanidade: Antes da escrita, o ouvido era o órgão socialmente mais importante.
Nas sociedades que não possuíam o alfabeto, o ouvido era o órgão que orientava socialmente as pessoas. Bastava ouvir para acreditar.
Com a introdução do alfabeto, as coisas mudaram. O alfabeto é o responsável por três mil anos de história do mundo ocidental.
Mas, responsável como?
Segundo Marchel Makluen, um dos profetas da idade eletrônica, toda descoberta tecnológica é o prolongamento de um órgão do ser humano. Assim, a roda é o prolongamento das pernas, o microfone da voz, a roupa da pele, a escrita por sua vez é o prolongamento da visão. E aqui está o núcleo da teoria de Makluen: o que para ele é importante não é o conteúdo das mensagens, mas, a maneira como os indivíduos comunicam essas mensagens!
Se eles o fazem por intermédio de sons, se o fazem pela escrita etc. por causa de sua realidade material, de sua natureza técnica, o meio que os indivíduos usam para comunicar, exercem, por intermédio dos sentidos, uma verdadeira massagem no cérebro. Tudo está, portanto, nessa massagem sensorial.
Cada meio de comunicação agindo sobre determinado sentido (ouvido, vista, tato, etc.) modelará o cérebro de uma forma diferente.
Com a escrita, o órgão que impera é o olho e com ele toda uma estrutura mental lógica, perspectiva é correta. A escrita é construída de fragmentos que sozinhos não possuem significado. para que tenha significado, é preciso que sejam combinadas de acordo com as formas determinadas e só quando arranjadas numa certa disposição, num contínum visual, as palavras expressam fatos e conceitos lógicos e racionais.
Makluen explica como a escrita condicionou a evolução das sociedades ocidentais: o império romano era uma sociedade que repousava no alfabeto. Por que os romanos construíram estradas? Para levar aos quatro cantos do mundo conhecido, as ordens do governo que eram redigidas em papiro; essas ordens podiam ir a toda parte sem o perigo de serem alteradas como uma mensagem falada.
E o que levou à ruína o império romano? A perda do Egito, responde Makluen. Perdendo o Egito, os romanos perderam o papiro; não havia mais papel para as mensagens.
A sociedade alfabética estava condenada à morte. Mas, Mekluen não para aí. Para ele, a sociedade alfabética, fundada na comunidade da língua, foi responsável pelo surgimento do nacionalismo; em literatura, ela foi responsável pelo surgimento da narrativa cronológica e do romance em prosa.
Para Makluen, entramos na idade da eletricidade. A eletricidade, segundo ele, não é o prolongamento de nenhum sentido específico da vista, do ouvido, etc.; é o prolongamento do sistema nervoso. A televisão não é só visual porque se dirige às vezes aos olhos e às vezes aos ouvidos. Ela estabelece, entre o espectador e o mundo, uma relação verdadeira, natural, que permite a seu consciente comparar as mensagens sob vários aspectos e do ponto de vista dos vários sentidos. O rádio e a televisão são o símbolo da nova revolução nos meios de comunicação que fatalmente vêm conduzindo uma mudança cultural entre os povos. Graças ao rádio e à televisão, o círculo de relações tradicionais se rompe.
As relações com a família e com os vizinhos cessam de ter valor privilegiado, o mundo inteiro se torna uma única família. Você conhece tão bem os personagens do rádio e da televisão quanto os membros da sua família ou do seu grupo social, você participa de suas vidas...

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