LIVRO EM BRAILLE É UMA INOVAÇÃO NA EDITORA MODERNA.

 

O livro "Pensando e Fazendo Educação de Qualidade", lançado pela Editora Moderna foi reproduzido para o Sistema Braille, a partir de minha recomendação como leitora cega e uma das autoras da obra.

As 128 páginas da edição original foram impressas em dois volumes, cada um deles com quase 170 páginas com uma capa plastificada e encadernação espiral. Inicialmente, foram impressos 15 exemplares pelo Centro de Apoio Pedagógico Especializado-CAPE da Secretaria de Estado
da Educação de São Paulo.

Para os leitores cegos, o ato de ler requer a colaboração de ledores voluntários ou remunerados nem sempre disponíveis no momento necessário ou desejado. Não raro, a conversão de livros em tinta para o sistema braille, suporte digital ou mesmo para a simples gravação em fitas cassetes envolve custos adicionais e depende da disponibilidade de recursos materiais, tecnológicos e humanos ou de escalas de prioridade dos serviços existentes. Assim, o acesso à leitura costuma ser dificultado por um percurso de obstáculos entre o livro e o leitor. Por isto, a iniciativa da Editora Moderna é de grande relevância social e está em consonância com o disposto na Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, sobre "Direitos autorais, a saber:

Art. 46 - Não constitui ofensa aos direitos autorais:

I - A reprodução:
d) De obras literárias, artísticas ou científicas, para uso exclusivo de deficientes visuais, sempre que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante o Sistema Braille ou outro procedimento em qualquer suporte para esses destinatários.

A experiência mais rudimentar de leitura para cegos remonta ao século XIX e consistia em pressionar uma espécie de cartolina molhada sobre caracteres em relevo, o que produzia um enorme e pesado volume. A leitura era excessivamente lenta, pois o leitor devia percorrer cada caractere com o tato e, ao final de uma palavra, dificilmente recordava suas primeiras letras. Mais tarde, entre 1819 e 1825, surgiu a "sonografia", método criado por Charles Barbier para transmitir mensagens secretas aos soldados, durante a noite, por meio de um conjunto de pontos salientes associados aos diversos sons da língua. Este método foi apresentado ao Instituto dos Meninos Cegos de Paris como alternativa de leitura para os cegos ali residentes.

Inspirado na estratégia de Barbier, Louis Braille (1809/1952), um dos jovens internos do Instituto criou um sistema de leitura e escrita versátil e eficiente, a partir de seis pontos combinados entre si para formar um conjunto de 64 signos, cujo tamanho e a disposição dos pontos facilitam o movimento e a discriminação tátil. O sistema braille engloba o alfabeto, os números, as vogais acentuadas, a pontuação, os símbolos matemáticos e musicais.

A invenção de Louis Braille revolucionou a educação dos cegos em todo o mundo e continua sendo uma alternativa indispensável nos dias atuais, apesar dos avanços tecnológicos. Os meios informáticos são imprescindíveis, embora não sejam acessíveis para a maioria das pessoas. Para Airton Simile, um dos coordenadores do Setor Braille da Biblioteca Pública Estadual do Paraná, "O nosso maior sonho é a simultaneidade, isto é, fazer um convênio com as editoras e ter um local para colocar os livros em formato digital, de obras que saem das rotativas em tinta, direto para os cegos, de modo que, imediatamente após a obra ser lançada no mercado, já se possa ter acesso em formato Braille ou para ser ouvida por meio de síntese de voz..."

 

Elizabet Dias de Sá.
psicóloga e consultora educacional.
Presidente do
Conselho Municipal da Pessoa Portadora de Deficiência de Belo Horizonte.
e-mail: elizabet.dias@terra.com.br.

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