Para saber mais.

 

Esmeralda - Por que não dancei.

 

Esmeralda do Carmo Ortiz.

 

Coordenação do projeto Gilberto Dimenstein - 3ª edição Editora Senac - São Paulo - 2001.

Na rua desde os 8 anos, quando fugiu de casa porque não suportava a violência da mãe, conheceu a estrutura de poder das gangues se misturando com policiais, o implacável código de silêncio e, depois, o código brutal da Febem.

Em pouco tempo, estaria se sentindo refém da droga. Magra, cabelo raspado, andava armada. "Estava vendo meus amigos morrendo ou sumindo. Eu vegetava, não tomava banho, ficava fedida.".

Sentindo-se sem alternativa, desejava a morte, supunha que uma overdose iria liquidar aquela angústia. Mas, ao mesmo tempo, queria se libertar.

Aquele lado que ainda tinha uma tênue esperança de saída fez com que se aproximasse, lentamente, de educadores do Projeto Travessia, no centro de São Paulo. Montou-se em torno de Esmeralda, uma operação de salvamento.

Freqüentou sessões de terapia: "Tive de perdoar meu passado para poder me perdoar."

Na busca de apoio e cumplicidade associou-se a grupos de dependentes que procuravam tratamento, internou-se para a desintoxicação. Participou de oficinas de arte, de letras, voltou para a escola e arrumou uma casa. Descobriu sua paixão pela comunicação, o prazer de escrever poesias para músicas e a vontade de escrever um livro. Foi construindo sua auto-estima.

Sem saber, montou no livro um roteiro de recuperação de drogados. Prepara-se para seu salto mais ousado: recuperar o que deixou de aprender na escola para entrar em uma faculdade de comunicação. Ainda não sabe que, com este livro, não precisou de diploma e escreveu sua grande reportagem.

Gilberto Dimenstein - Folha de São Paulo.

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